segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Conto: A garota de Vestido Rosa

Em baixo de uma árvore havia uma garota de vestido rosa sentada em um banco, ela estava lendo um livro e sorriu antes de virar a próxima página. Aos seus pés um filhote de labrador estava deitado, dormindo. A guia da coleira do cachorro estava enrolada em seu braço e de vez em quando ela descia a mão para acariciá-lo, mas sem tirar os olhos do livro, nenhuma vez.
Eu estava sentado à frente dela e também lia um livro, ao menos tentava. Eu realmente queria ler, mas não conseguia tirar os olhos da garota. O livro estava aberto na página que havia parado no dia anterior, mas eu a fitava, admirado.
Ouvi uma pequena buzina e virei o rosto. Um ciclista vinha pelo caminho de pedra. O filhote acordou e começou a latir para a roda que girava e a garota de vestido rosa levou um susto.
__Calma, Boris, é só um ciclista – disse ela acariciando seu cachorro.
E foi, então, que ela olhou para mim. Envergonhado me escondi atrás do livro, e somente depois de alguns segundos tomei coragem e voltei a olhar para ela. A garota ainda me fitava, sorrindo levantou o seu livro para que pudesse ver a capa. Era o mesmo que eu estava lendo. Sorri de volta.
__Está gostando? – ela perguntou.
__Muito! – respondi.
__Está em qual página?
Eu olhei para o livro.
__Trinta e oito. Comecei a ler ontem.
__Eu estou quase acabando... o livro é muito bom. Você vai gostar!
Ela sorriu. Sorri de volta. Eu queria dizer alguma coisa inteligente, que me fizesse parecer alguém esperto, culto, mas as palavras não apareceram e eu fiquei lá, sorrindo como um perfeito idiota.
Ela voltou os olhos para o livro, se perdeu por entre a leitura e eu perdi a minha chance.
Voltei a ler também, mas não conseguia me concentrar, tentava procurar algum assunto. Nessa hora gostaria de ser igual aos mocinhos dos livros de romance, eles sempre sabiam o que dizer.
Um momento depois ela se levantou, ajeitou o vestido de uma forma encantadora e chamou o Boris. O labrador se espreguiçou. Ela olhou para mim e disse tchau. Eu respondi, sabia que ela ia embora e o meu momento se fora.
Enquanto ela caminhava e eu a acompanhava com os olhos. O mesmo ciclista que havia passado, agora voltava. Boris recomeçou a latir. A garota segurou a guia da coleira com mais força, mas o livro que estava em sua outra mão caiu. Ela se agachou para pegá-lo. Acabou afrouxando a guia e o filhote de labrador correu atrás da bicicleta.
Foi, então, que eu vi minha chance. Larguei o livro e corri em direção do Boris e o agarrei. A garota do vestido rosa veio correndo atrás.
__Obrigada! – ela agradeceu.
__Não foi nada – eu respondi entregando o labrador a ela.
Ela sorriu. Aquele sorriso encantador.
__Eu vou estar aqui amanhã no mesmo horário.
__Claro! – foi uma resposta idiota, ela nem tinha feito uma pergunta.
Ela se virou para ir embora e eu fiquei estático somente observando. De repente me lembrei.
__Qual é o seu nome? – gritei.
__Sabrina – ela respondeu – e o seu?
__Rafael.
__Até amanhã, Rafael.
__Até.
Ela acenou, acenei de volta, olhando-a se perder por entre as árvores do parque. Peguei meu livro do banco e fui embora sorrindo sozinho.

FIM.

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